Jardim de Poesia
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Andréa Motta
Poesia
"Tingindo de saudade os devaneios"*
espanto o cinza-escuro da saudade
e volto a ter o ardor da mocidade
e deixo explodir-me o amor nos seios
esqueço as nuvens feias, tempestade
que varre estes meus dias e me afoga
esqueço o barco que perdido voga
nos mares tenebrosos da maldade
e volto a ser menina no teu braço
e no teu peito esqueço o meu cansaço
deixando-me embalar no teu amor
é pena que esta noite sempre acabe
que a chuva forte o teto meu desabe
e eu me afogue em sofrimento e dor.
lisieux
BH - 16.02.05 - 13h17m
Orvalhado ao som dos gemidos do rio,
singra desgovernado um escaler de papel.
Quando cai a noite, serenado aporta imaculado
no desembarcadouro do imaginário.
Deixa atrás de si a cartilha,
onde aprendeu o beabá.
Imigrante no mundo da fantasia
finalmente respira aliviado.
Agora é livre,
viril escandescente.
Nada lhe diminui e assusta.
Já não é igara
já não vaga perdido na noite.
A perda súbita da consciência
sub-roga o fado de tristezas
por natas experiências.
Empírico, sem disfarces
tem a certeza de que não mais soçobrará.
Andréa Motta
23/01/05
Sentinelas de pedra, vendadas,
protagon (i) zam
n
á
b
i
l estratégia:
colhem pétalas negras!
Andréa Motta
05/09/04
Nota: Dedicado aos moradores de Beslan-Rússia.
Sou pedra plantada.
Quando pedra,sou dura,
implacável com as palavras.
Sou água a correr.
Quando água,sou como um riacho sereno
a deslizar em silêncio.
Sou vulcão em constante erupção.
Quando vulcão,sou imaginação.
Trago na pele, no rosto e,
na alma a cor da paixão.
Sou cigana livre de preconceitos.
Sou nômade,vivo as margens dos rios
minh' alma tem asas brancas e vermelhas,
p'ros vôos desta vida incerta.
Tenho os olhos tristes e a voz embargada,
em simultâneo a alegria d'uma criança.
No peito trago contudo,a inabalável certeza
de amar-te eternamente.
Andréa Motta
(julho/03)